segunda-feira, 25 de julho de 2011

São Tiago, apóstolo
(25 de julho)
Participantes da paixão de Cristo

Os filhos de Zebedeu pedem a Cristo: Deixa-nos sentar um à tua direita e outro, à tua esquerda (Mc 10,37). Que resposta lhes dá o Senhor? Para mostrar que no seu pedido nada havia de espiritual, e se soubessem o que pediam não teriam ousado fazê-lo, diz: Não sabeis o que estais pedindo (Mt 20,22), isto é, não sabeis como é grande, admirável e superior aos próprios poderes celestes aquilo que pedis.

Depois acrescenta: Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber? (Mt 20,22). É como se lhes dissesse: “Vós me falais de honras e de coroas; eu, porém, de combates e de suores. Não é este o tempo das recompensas, nem é agora que minha glória há de se manifestar. Mas a vida presente é de morte violenta, de guerra e de perigos”.

 Reparai como o Senhor os atrai e exorta, pelo modo de interrogar. Não perguntou: “Podeis suportar os suplícios? podeis derramar vosso sangue? Mas indagou: Por acaso podeis beber o cálice? E para os estimular, ainda acrescentou: que eu vou beber? Assim falava para que, em união com ele, se tornassem mais decididos.

Chama sua paixão de batismo, para dar a entender que os sofrimentos haviam de trazer uma grande purificação para o mundo inteiro. Então os dois discípulos lhe disseram: Podemos (Mt 20,22). Prometem imediatamente, cheios de fervor, sem perceber o alcance do que dizem, mas com a esperança de obter o que pediam.

Que afirma o Senhor? De fato, vós bebereis do meu cálice (Mt 20,23), e sereis batizados com o batismo com que eu devo ser batizado (Mc 10,39). Grandes são os bens que lhes anuncia, a saber: “Sereis dignos de receber o martírio e sofrereis comigo; terminareis a vida com morte violenta e assim participareis da minha paixão”. Mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. Meu Pai é quem dará esses lugares àqueles para os quais ele os preparou (Mt 20,23).

Somente depois de lhes ter levantado os ânimos e de tê-los tornado capazes de superar a tristeza é que corrigiu o pedido que fizeram. Então os outros dez discípulos ficaram irritados contra os dois irmãos (Mt 20,24). Vedes como todos eles eram imperfeitos, tanto os que tentavam ficar acima dos outros, como os dez que tinham inveja dos dois? Mas, como já tive ocasião de dizer, observai- os mais tarde e vereis como estão livres de todos esses sentimentos.

Prestai atenção como o mesmo apóstolo João, que se adianta agora por este motivo, cederá sempre o primeiro lugar a Pedro, quer para usar da palavra,quer para fazer milagres, conforme se lê nos Atos dos Apóstolos. Tiago, porém, não viveu muito mais tempo. Desde o princípio, pondo de parte toda aspiração humana, elevou-se a tão grande santidade que  bem depressa recebeu a coroa do martírio.



São João Crisóstomo, bispo (Séc.IV)
Liturgia das Horas

domingo, 10 de julho de 2011


São Bento
(11 de julho)
Nada absolutamente prefiram a Cristo

Antes de tudo, quando quiseres realizar algo de bom, pede a Deus com oração muito insistente que seja plenamente realizado por ele. Pois já tendo se dignado contar-nos entre o número de seus filhos, que ele nunca venha a entristecer-se por causa de nossas
más ações.

Assim, devemos em todo tempo pôr a seu serviço os bens que nos concedeu,para não acontecer que, como pai irado, venha a deserdar seus filhos; ou também, qual Senhor temível, irritado com os nossos pecados nos entregue ao castigo eterno, como péssimos servos que o não quiseram seguir para a glória. Levantemo-nos, enfim, pois a Escritura nos desperta dizendo: Já é hora de levantarmos do sono (cf. Rm 13,11).

Com os olhos abertos para a luz deífica e os ouvidos atentos, ouçamos a exortação que a voz divina nos dirige todos os dias: Oxalá, ouvísseis hoje a sua voz: não fecheis os corações (Sl 94,8); e ainda: Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às Igrejas (Ap 2,7).E o que diz ele? Meus filhos, vinde agora e escutai-me: vou ensinar-vos o temor do Senhor (Sl 33,12).

Correi, enquanto tendes a luz da vida, para que as trevas não vos alcancem (cf. Jo 12,35). Procurando o Senhor o seu operário na multidão do povo ao qual dirige estas palavras, diz ainda: Qual o homem que não ama sua vida, procurando ser feliz todos os dias? (Sl 33,13). E se tu, ao ouvires este convite, responderes: Eu, dir-te-á Deus: Se queres possuir a verdadeira e perpétua vida, afasta a tua língua da maldade, e teus lábios, de palavras mentirosas.

Evita o mal e faze o bem, procura a paz e vai com ela em seu caminho (Sl 33,14-15). E quando fizeres isto, então meus olhos estarão sobre ti e meus ouvidos atentos às tuas preces; e antes mesmo que me invoques, eu te direi: Eis-me aqui (Is 58,9). Que há de mais doce para nós, caríssimos irmãos, do que esta voz do Senhor que nos convida?

 Vede como o Senhor, na sua bondade, nos mostra o caminho da vida! Cingidos, pois, os nossos rins com a fé e a prática das boas ações, guiados pelo evangelho, trilhemos os seus caminhos, a fim de merecermos ver aquele que nos chama a seu reino (cf. 1Ts 2,12). Se queremos habitar na tenda real do acampamento desse reino, é preciso correr pelo caminho das boas ações; de outra forma, nunca chegaremos lá.

Assim como há um zelo mau de amargura, que afasta de Deus e conduz ao inferno, assim também há um zelo bom, que separa dos vícios e conduz a Deus. É este zelo que os monges devem pôr em prática com amor ferventíssimo, isto é, antecipem-se uns aos outros em atenções recíprocas (cf. Rm 12,10).

Tolerem pacientissimamente as suas fraquezas, físicas ou morais; rivalizem em prestar mútua obediência; ninguém procure o que julga útil para si, mas sobretudo o que o é para o outro; ponham em ação castamente a caridade fraterna; temam a Deus com amor; amem o seu abade com sincera e humilde caridade; nada absolutamente prefiram a Cristo; e que ele nos conduza todos juntos para a vida eterna.


Da Regra de São Bento, abade  (Séc.VI)
(Prologus, 4-22;cap.72,1-12:CSEL75,2-5.162-163)
Liturgia das Horas


Um pouco mais sobre a vida de São Bento e a medalha,  veja no link: http://trovatogina.blogspot.com/2010/07/sao-bento-11-de-julho-sao-bento-nasceu.html




quinta-feira, 23 de junho de 2011


Ó precioso e admirável banquete!

O unigênito Filho de Deus, querendo fazer-nos participantes da sua divindade, assumiu nossa natureza, para que, feito homem, dos homens fizesse deuses. Assim, tudo quanto assumiu da nossa natureza humana, empregou-o para nossa salvação.

 Seu Corpo, por exemplo, Ele O ofereceu a Deus Pai como sacrifício no altar da Cruz, para nossa reconciliação; seu Sangue, Ele O derramou ao mesmo tempo como preço do nosso resgate e purificação de todos os nossos pecados.  Mas, a fim de que permanecesse para sempre entre nós o memorial de tão imenso benefício, Ele deixou aos fiéis, sob as aparências do pão e do vinho, o Seu corpo como alimento e o Seu Sangue como bebida.

Ó precioso e admirável banquete, fonte de salvação e repleto de toda suavidade! Que há de mais precioso que este banquete? Nele, já não é mais a carne de novilhos e cabritos que nos é dada a comer, como na antiga Lei, mas é o próprio Cristo, verdadeiro Deus, que se nos dá em alimento. Poderia haver algo de mais admirável que este alimento?

De fato, nenhum outro sacramento é mais salutar do que este; nele os pecados são destruídos, crescem as virtudes e a alma é plenamente saciada de todos os dons espirituais. É oferecido na Igreja pelos vivos e pelos mortos, para que aproveite a todos o que foi instituído para a salvação de todos.

 Ninguém seria capaz de expressar a suavidade deste sacramento; nele se pode saborear a doçura espiritual em sua própria fonte; e torna-se presente a memória daquele imenso e inefável amor que Cristo demonstrou para conosco em sua Paixão.

 Enfim, para que a imensidade deste amor ficasse mais profundamente gravada nos corações dos fiéis, Cristo instituiu este sacramento durante a última Ceia, quando, ao celebrar a Páscoa com seus discípulos, estava prestes a passar deste mundo para o Pai. 

A Eucaristia é o memorial perene da sua Paixão, o cumprimento perfeito das figuras da Antiga Aliança  e o maior de todos os milagres que Cristo realizou. É ainda singular conforto que Ele deixou para os que se entristecem com sua ausência.


Das Obras de Santo Tomás de Aquino, presbítero
(Opusculum 57, In festo Corporis Christi, lect. 1-4)  (Séc.XIII)
Liturgia das Horas

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos
(sábado depois da Ascensão)

...Perseveravam unanimemente na oração,juntamente
com as mulheres, entre elas,
 Maria, mãe de Jesus... (At 1,14)


No cenáculo, entre aqueles que esperavam a vinda do Poder do Altíssimo, Maria é citada, não em primeiro lugar, que é dos apóstolos, mas entre as mulheres que tinham fielmente seguido Jesus. No meio do povo, não entre os dirigentes.

A Anunciação tinha sido para Maria seu Pentecostes particular: já então o Espírito Santo descera sobre ela e o poder do Altíssimo a cobrira com sua sombra (Lc 1, 35). Tudo isto, porém, permanecia escondido aos olhos do mundo e só em Pentecostes será manifestado claramente. Nossa Senhora faz parte daquela Igreja orante que se prepara para a sua missão, participando da oração comum com seu título único de Mãe e Discípula do Senhor. Ser discípulo significa ser fiel a Jesus.

Ora, escutar a palavra de Deus e pô-la em prática é justamente o que Maria fez (Lc 11, 27-28).Desse acolhimento fiel da palavra de Deus, Maria é o modelo mais elevado, que a Igreja medita e imita.

Rodeada de discípulos que não tinham compreendido Jesus, que se reuniam com medo e mal sabiam como e por que rezar, sua atitude para com eles só pode ter sido de amor maternal e ternura, uma irradiação do Espírito sem sermões e exigências. Sabia como ministrar-lhes do modo mais amoroso e gentil. Sabia, acima de tudo, esperar o momento da graça de Deus, que podia ser apressado não pela impaciência, mas pela oração, o amor e a presença.

É lá que vem o Espírito, ao fim de longa oração. Maria vai receber uma nova efusão do Espírito, pois não há somente um Pentecostes. O Pentecostes se renova.

Maria teve um Pentecostes na Anunciação, que foi o Pentecostes da geração do Corpo físico de Cristo; e ainda o Pentecostes com os apóstolos, que foi o Pentecostes da geração do Corpo Místico do Cristo. Houve nova efusão depois da perseguição dos apóstolos (At 4, 31).

E nós todos somos chamados a ir de efusão do Espírito em efusão do Espírito, se estivermos disponíveis para novos Pentecostes.

Oremos: “Ó Deus, que enviastes o Espírito Santo aos vossos apóstolos enquanto rezavam em companhia de Maria, Mãe de Jesus, concedei-nos, por intercessão dela, a graça de Vos servir fielmente e difundir, com a palavra e o exemplo, a glória do Vosso Nome por Cristo, Nosso Senhor”


Nossa Senhora  Rainha dos Apóstolos, dai-nos um novo Pentecostes!


Fonte: Maria e Nós, Dom Cipriano Chagas, OSB  - ELD
Fome e Sede de Deus (São Vicente Pallotti) Pe. Josef  Danko SAC



Veja também  o  artigo "Chegando o dia de Pentecostes..." nesse link: http://trovatogina.blogspot.com/2010/05/com-maria-no-cenaculo_22.html

sexta-feira, 3 de junho de 2011



Como Santo Cura d’Ars falava do Espírito Santo

‘Sinais práticos da Sua presença’

Por si mesmo, o homem nada é, porém, com o Espírito Santo, é muito grande. O homem é todo terreno, todo animal somente o Espírito Santo pode levantá-lo e guiá-lo para o alto. Por qual motivo os santos estavam desligados da terra?Porque deixavam-se conduzir pelo Espírito Santo.

O Espírito Santo é luz e força. É  ele quem faz discernir entre o verdadeiro e o falso, entre o bem e o mal. Como lentes que aumentam os objetos, o Espírito Santo nos faz ver o bem e o mal em grandes proporções. Com o Espírito Santo vê-se tudo aumentado: a grandeza das mínimas ações feitas por Deus e a grandeza das pequenas culpas. Da mesma forma como o relojoeiro com as lentes consegue ver as mais pequeninas engrenagens de um relógio, com as luzes do Espírito Santo, nós distinguimos toda a pequenez de nossa pobre vida. Assim, as mínimas imperfeições parecem gravíssimas e os pecados mais leves causam horror.

Aqueles que possuem o Espírito Santo não podem se ensoberbecer, posto que conhecem a própria miséria.Para o mundo, parece que Deus não mais existe, enquanto para o homem que se deixa guiar pelo Espírito Santo é o mundo que deixou de existir. Trata-se, portanto, de saber quem nos guia. Se não for o Espírito Santo, trabalhamos inutilmente, sem forças nem sabedoria. Onde existe o Espírito Santo há delicada doçura...prazer arrebatador. 

Quem se deixa conduzir pelo Espírito Santo experimenta toda a sorte de felicidade entre os irmãos, ao passo que os maus cristãos se emaranham entre os espinhos.Sem o Espírito Santo somos como a pedra da beira da estrada... tome na mão uma esponja embebida de água e na outra uma pedrinha. Esprema da mesma forma uma e outra. Da pedrinha nada sairá, mas da esponja verá sair água em abundância. A esponja é alma repleta do Espírito Santo, enquanto a pedrinha é o coração frio e duro onde não habita o Espírito Santo. Uma alma que possui o Espírito Santo experimenta prazer na oração e o tempo sempre lhe parece por demais curto. Nunca perde a presença de Deus.

Sem o Espírito Santo tudo fica frio. Por isso, quando se percebe que o fervor está diminuindo, é preciso logo fazer uma novena ao Espírito Santo, pedindo a fé e a caridade. Deus, enviando-nos o Espírito Santo, fez conosco o que faz um grande rei ao encarregar o primeiro ministro de acompanhar um de seus súditos, dizendo-lhe: “Acompanhe esse homem por todas as partes e traga-o de volta, são e salvo.”

Que bela coisa, meus filhinhos, ser acompanhado pelo Espírito Santo! Que belo Guia é Ele... e pensar que há quem não o deseja seguir! (Aqui chorava o Santo Cura d’Ars!). O Espírito Santo é como um homem que, possuindo uma carruagem e um cavalo, deseja dirigir-se a paris. Nada temos a dizer, senão “sim” e entrar na carruagem. É muito difícil dizer “sim”.  Veja, o Espírito Santo deseja conduzir-nos ao Céu. Por isso, precisamos apenas dizer “sim” e deixarmo-nos conduzir. Como a pomba no ninho, o Espírito Santo repousa nas almas dos justos. Ele desperta os bons pensamentos de uma alma pura, da forma como a pomba choca seus filhinhos... 

Os Sacramentos que Nosso  Senhor nos deixou não nos salvariam sem o Espírito Santo. A própria morte de Nosso Senhor, sem o Espírito Santo , seria inútil para nós. Por isso, disso Nosso Senhor aos apóstolos: “É bom para vós que eu vá, porque se eu não for, o Consolador não virá...” É preciso que o Espírito Santo venha encher de graças essa messe. É como um grão de trigo. Após semeado no campo, são necessários o sol e a chuva para fazê-lo crescer e amadurecer na espiga. Aquela chuva e aquele sol é o Espírito Santo.
Seria bom dizer todas as manhãs:
  Meu Deus, enviai-me Vosso Santo Espírito para fazer-me conhecer o que sou eu e quem sois Vós!...”



Eco de Mediugórie nº 148
Associação “Servos da Rainha”  


domingo, 29 de maio de 2011


O mês de maio — dedicado a Nossa Senhora— chega ao seu final, mas o desafio de nos espelharmos em Maria, continua... E tenhamos a certeza em nossos corações, que Ela nos acompanha de perto!...
Partilho com vocês um capítulo do belíssimo livro de Chiara Lubich:"Maria, Coração da Humanidade"


Porque quero revê-la em ti


Entrei na igreja um dia e, com o coração cheio de confidência, perguntei-lhe:
Por que quisestes ficar na terra, em todos os pontos da Terra, na dulcíssima Eucaristia, e não encontraste um modo, Tu que és Deus, de trazer e deixar também Maria, a Mãe de todos nós que peregrinamos?”

No silêncio, parecia responder “Não a trouxe porque quero revê-la em ti. Mesmo que não sejais imaculados, o meu amor vos virginizará, e tu, vós, abrireis braços e corações de mães à humanidade, que, como outrora, tem sede de seu Deus e da Mãe d’Ele. A vós, ora, cabe lenir as dores, as chagas, enxugar as lágrimas. Canta as ladainhas e procura espelhar-te nelas!


Deus  abençoe você e a toda sua família, pelas mãos de Nossa Senhora!...
Com carinho e orações...
Gina

domingo, 8 de maio de 2011


Cristo, o bom pastor

 Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas, isto é, eu as amo, e minhas ovelhas me conhecem (Jo 10,14). É como se quisesse dizer francamente: elas correspondem ao amor daquele que as ama. Quem não ama a verdade, é porque ainda não conhece perfeitamente. Depois de terdes ouvido, irmãos caríssimos, qual é o perigo que corremos, considerai também, por estas palavras do Senhor, o perigo que vós também correis.

 Vede se sois suas ovelhas, vede se o conheceis, vede se conheceis a luz da verdade. Se o conheceis, quero dizer, não só pela fé, mas também pelo amor, se o conheceis não só pelo que credes, mas também pelas obras. O mesmo evangelista João, de quem são estas palavras, afirma ainda: Quem diz: “Eu conheço Deus”, mas não guarda os seus mandamentos, é mentiroso (1Jo 2,4). 

Por isso, nesta passagem do evangelho, o Senhor acrescenta imediatamente: Assim como o Pai me conhece, eu também conheço o Pai e dou minha vida por minhas ovelhas (Jo 10,15). Como se dissesse explicitamente: a prova de que eu conheço o Pai e sou por ele conhecido, é que dou minha vida por minhas ovelhas; por outras palavras, este amor que me leva a morrer por minhas ovelhas, mostra o quanto eu amo o Pai.

Continuando a falar de suas ovelhas, diz ainda: Minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna (Jo 10,27-28). É a respeito delas que fala um pouco acima: Quem entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem (Jo 10,9). Entrará, efetivamente, abrindo-se à fé; sairá passando da fé à visão e à contemplação, e encontrará pastagem no banquete eterno.

 Suas ovelhas encontram pastagem, pois todo aquele que o segue na simplicidade de coração é nutrido por pastagens sempre verdes. Quais são afinal as pastagens dessas ovelhas, senão as profundas alegrias de um paraíso sempre verdejante? Sim, o alimento dos eleitos é o rosto de Deus, sempre presente. Ao contemplá-lo sem cessar, a alma sacia-se eternamente com o alimento da vida.  Procuremos, portanto, irmãos caríssimos, alcançar essas pastagens, onde nos alegraremos na companhia dos cidadãos do céu.

 Que a própria alegria dos bem-aventurados nos estimule. Corações ao alto, meus irmãos! Que a nossa fé se afervore nas verdades em que acreditamos; inflame-se o nosso desejo pelas coisas do céu. Amar assim já é pôr-se a caminho. Nenhuma contrariedade nos afaste da alegria desta solenidade interior. 

Se alguém, com efeito, pretende chegar a um determinado lugar, não há obstáculo algum no caminho que o faça desistir de chegar aonde deseja. Nenhuma prosperidade sedutora nos iluda. Insensato seria o viajante que, contemplando a beleza da paisagem, se esquece de continuar sua viagem até o fim.


Das Homilias sobre os Evangelhos, de São Gregório Magno, papa
 (Séc.VI)
 Liturgia das Horas